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<channel><title><![CDATA[Rui Cardoso - Blog]]></title><link><![CDATA[https://www.ruicardosodr.com/blog]]></link><description><![CDATA[Blog]]></description><pubDate>Sun, 09 Aug 2026 17:35:06 +0100</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[Sobre a Terapia de Som / SoundHealing]]></title><link><![CDATA[https://www.ruicardosodr.com/blog/soundhealing]]></link><comments><![CDATA[https://www.ruicardosodr.com/blog/soundhealing#comments]]></comments><pubDate>Tue, 16 Jun 2026 19:29:49 GMT</pubDate><category><![CDATA[terapias]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.ruicardosodr.com/blog/soundhealing</guid><description><![CDATA[       Sobre a Terapia de Som / SoundHealing, uma mensagem para novos praticantes e terapeutas, sem julgamento, apenas a patilha de minha experi&ecirc;ncia.As pessoas entusiasmam-se com os instrumentos mais bonitos e, de repente, tornam-se terapeutas de som. Esquecendo-se da ci&ecirc;ncia, da experi&ecirc;ncia e da compreens&atilde;o profunda que est&atilde;o por tr&aacute;s desta arte.O primeiro e maior erro &eacute; acreditar que n&atilde;o &eacute; preciso estudar nem praticar antes de oferec [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="https://www.ruicardosodr.com/uploads/1/9/9/5/19953629/published/som.jpg?1781638254" alt="Fotografia" style="width:730;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph">Sobre a Terapia de Som / SoundHealing, uma mensagem para novos praticantes e terapeutas, sem julgamento, apenas a patilha de minha experi&ecirc;ncia.<br /><br />As pessoas entusiasmam-se com os instrumentos mais bonitos e, de repente, tornam-se terapeutas de som. Esquecendo-se da ci&ecirc;ncia, da experi&ecirc;ncia e da compreens&atilde;o profunda que est&atilde;o por tr&aacute;s desta arte.<br /><br />O primeiro e maior erro &eacute; acreditar que n&atilde;o &eacute; preciso estudar nem praticar antes de oferecer uma sess&atilde;o. Ponto final.<br /><br />A terapia de som &eacute; muito mais do que tocar ta&ccedil;as ou gongos. Requer estudo, pr&aacute;tica, presen&ccedil;a, humildade, sensibilidade e um verdadeiro compromisso de estar ao servi&ccedil;o do outro.<br /><br />Idealmente, &eacute; importante conhecer os dois lados: o de quem facilita e o de quem recebe. Compreender as frequ&ecirc;ncias, a vibra&ccedil;&atilde;o, o funcionamento do corpo e da mente humana. Mas, acima de tudo, desenvolver sensibilidade. Sensibilidade para perceber o outro ser humano, para escutar o som e para escutar a pr&oacute;pria intui&ccedil;&atilde;o.<br /><br />Os terapeutas mais eficazes s&atilde;o aqueles que continuam a investir no desenvolvimento das suas compet&ecirc;ncias e que compreendem a responsabilidade que existe em sustentar espa&ccedil;o para outras pessoas.<br /><br />Sou terapeuta de som h&aacute; cerca de dez anos e, ao longo deste caminho, fiz v&aacute;rias forma&ccedil;&otilde;es para poder oferecer sess&otilde;es de forma segura e consciente. Como muitos, tamb&eacute;m passei pelo entusiasmo de querer fazer mais, de procurar as energias, de me encantar pelas ta&ccedil;as, pelos gongos, pelas auras. Mas sentia que faltava algo.<br /><br />Esse algo era a vis&atilde;o integrativa do ser humano.<br /><br />No meu caso, foi relativamente natural, porque a minha forma&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas terap&ecirc;uticas, a psicoterapia e at&eacute; ferramentas como o Human Design sempre estiveram ao servi&ccedil;o da pessoa e n&atilde;o apenas da t&eacute;cnica. Tudo isso contribui para a forma como hoje facilito uma sess&atilde;o de terapia de som para o Ser e n&atilde;o simplesmente uma sess&atilde;o de "tocar ta&ccedil;as".<br /><br />Costumo brincar, inclusive nos workshops que j&aacute; facilitei, que tocar ta&ccedil;as &eacute; relativamente f&aacute;cil. O dif&iacute;cil &eacute; saber o que se est&aacute; a fazer. E esse saber exige conhecimento, sabedoria, estudo, experi&ecirc;ncia e responsabilidade.<br /><br />Ter um conjunto de ta&ccedil;as n&atilde;o faz de algu&eacute;m um terapeuta.<br /><br />E esta n&atilde;o &eacute; uma mensagem de julgamento. &Eacute; uma mensagem de consci&ecirc;ncia.<br /><br />Porque aquilo que pode ajudar tamb&eacute;m pode desorganizar. Aquilo que pode construir tamb&eacute;m pode destruir.<br /><br />Muitas vezes esquecemo-nos de que estamos perante algu&eacute;m que nos procura porque precisa de ajuda. Algu&eacute;m que pode estar emocionalmente inst&aacute;vel, vulner&aacute;vel, ansioso ou a atravessar um momento dif&iacute;cil da sua vida.<br /><br />H&aacute; estados profundos que podem ser induzidos de forma irrespons&aacute;vel. Eu pr&oacute;prio j&aacute; participei em sess&otilde;es das quais sa&iacute; com mais ansiedade, desconforto e at&eacute; dores de cabe&ccedil;a do que quando entrei. Existem contraindica&ccedil;&otilde;es na terapia de som e elas n&atilde;o devem ser ignoradas.<br /><br />Por isso, n&atilde;o sejas negligente. N&atilde;o fa&ccedil;as isto apenas pela moda, pelo entusiasmo do momento ou pelo dinheiro.<br /><br />&Eacute; bonito ver cada vez mais pessoas interessadas nas diferentes modalidades de cura.<br /><br />Mas que o fa&ccedil;amos com respeito.<br /><br />Com estudo.<br /><br />Com humildade.<br /><br />E, acima de tudo, com consci&ecirc;ncia da responsabilidade que existe quando pegamos numa ta&ccedil;a e a colocamos no corpo &mdash; ou no campo &mdash; de outro ser humano.<br />Um abra&ccedil;o sonoro</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Escrever e ser num mundo artificial]]></title><link><![CDATA[https://www.ruicardosodr.com/blog/mundoartificial]]></link><comments><![CDATA[https://www.ruicardosodr.com/blog/mundoartificial#comments]]></comments><pubDate>Fri, 24 Apr 2026 20:14:26 GMT</pubDate><category><![CDATA[Notas de Ser]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.ruicardosodr.com/blog/mundoartificial</guid><description><![CDATA[Hoje penso que h&aacute; problemas mais graves que os sentidos aquando da revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e da revolu&ccedil;&atilde;o industrial. Ao menos essas eram humanas.Agora estamos na era da revolu&ccedil;&atilde;o digital, em que se perde o senso do que &eacute; real, do que &eacute; artificial, da ilus&atilde;o da verdade, e isso acaba por me causar algum tipo de confus&atilde;o.Penso que at&eacute; nos vai colocar num estado de alerta permanente, a tentar observar constante [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">Hoje penso que h&aacute; problemas mais graves que os sentidos aquando da revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e da revolu&ccedil;&atilde;o industrial. Ao menos essas eram humanas.<br /><br />Agora estamos na era da revolu&ccedil;&atilde;o digital, em que se perde o senso do que &eacute; real, do que &eacute; artificial, da ilus&atilde;o da verdade, e isso acaba por me causar algum tipo de confus&atilde;o.<br /><br />Penso que at&eacute; nos vai colocar num estado de alerta permanente, a tentar observar constantemente, sempre que utilizamos as redes digitais, o que &eacute; que &eacute; real. O que &eacute; que foi realmente escrito por aquela pessoa. Ser&aacute; que aquele v&iacute;deo e aquela voz &eacute; mesmo aquela pessoa.<br />&#8203;<br />Parece que vivemos num cen&aacute;rio de guerra, em que somos bombardeados numa luta por uma aten&ccedil;&atilde;o que est&aacute; cada vez mais dispersa. Por isso estou a escolher cada vez mais ir para o anal&oacute;gico, escolher o livro, a folha, a pausa, escolher o disco, um disco de cada vez, sem ter de escolher a torrente de ondas de m&uacute;sica que os streamings oferecem.<br /><br />Ou os servi&ccedil;os de streaming de s&eacute;ries, filmes. Tudo est&aacute; t&atilde;o f&uacute;til, f&aacute;cil, fadado e gasto. Tudo &eacute; t&atilde;o r&aacute;pido agora que chega quase a ser est&eacute;ril. Sinto-me cansado de ter de escolher tanto nas hip&oacute;teses.<br /><br />Por isso, por vezes s&oacute; apagar o meu footprint digital, desligar a internet, desligar-me do mundo a correr para lado nenhum e ficar s&oacute; com os livros, com a pausa clara de observar a natureza, dos p&eacute;s na terra, na areia, da sensa&ccedil;&atilde;o de voltar a tocar uma &aacute;rvore, a jogar com as crian&ccedil;as ou apenas a olhar para o vazio e imaginar cen&aacute;rios.<br />Sinto que precisamos de nos libertar um pouco desta pris&atilde;o digital e artificial.<br /><br />Nada contra a intelig&ecirc;ncia artificial, seja o que &eacute; que isso for, porque na verdade &eacute; s&oacute; mais uma constru&ccedil;&atilde;o da humanidade para facilitar a nossa evolu&ccedil;&atilde;o. Estamos a tender ao facilitismo, dualismo, extremismo que nos est&aacute; a levar &agrave; solid&atilde;o, ao vazio, &agrave; depress&atilde;o, &agrave; aus&ecirc;ncia de sentido, &agrave; aus&ecirc;ncia de estar, &agrave; aus&ecirc;ncia de ser.<br /><br />Respiro fundo, pauso o que vou escrever a seguir, pois tamb&eacute;m isso vai ficar registado de forma digital, para que um dia, talvez daqui a uns anos, algu&eacute;m leia e perceba.<br /><br />Ele j&aacute; estava desperto no meio de tanta desinforma&ccedil;&atilde;o e distra&ccedil;&atilde;o para ludibriar a consci&ecirc;ncia de quem quer evoluir no seu desenvolvimento humano.<br /><strong>24 de abril de 2026</strong></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O que ainda é nosso]]></title><link><![CDATA[https://www.ruicardosodr.com/blog/aindanosso]]></link><comments><![CDATA[https://www.ruicardosodr.com/blog/aindanosso#comments]]></comments><pubDate>Fri, 17 Apr 2026 17:26:33 GMT</pubDate><category><![CDATA[epifaniareflexiva]]></category><category><![CDATA[Notas de Ser]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.ruicardosodr.com/blog/aindanosso</guid><description><![CDATA[Pergunto-me muitas vezes em que momento algo que atravessa um filtro &mdash; digital ou anal&oacute;gico &mdash; deixa de ser verdadeiramente nosso.Talvez esta pergunta tenha come&ccedil;ado h&aacute; muitos anos, quando deixei a m&aacute;quina de escrever e passei para o computador. Houve a&iacute; uma mudan&ccedil;a silenciosa na rela&ccedil;&atilde;o com a palavra. A escrita deixou de ter o peso mec&acirc;nico da tecla, o som seco da pancada no papel, a inevitabilidade do erro vis&iacute;vel. [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph">Pergunto-me muitas vezes em que momento algo que atravessa um filtro &mdash; digital ou anal&oacute;gico &mdash; deixa de ser verdadeiramente nosso.<br /><br />Talvez esta pergunta tenha come&ccedil;ado h&aacute; muitos anos, <strong>quando deixei a m&aacute;quina de escrever e passei para o computador</strong>. Houve a&iacute; uma mudan&ccedil;a silenciosa na rela&ccedil;&atilde;o com a palavra. A escrita deixou de ter o peso mec&acirc;nico da tecla, o som seco da pancada no papel, a inevitabilidade do erro vis&iacute;vel. Passou a existir a facilidade de apagar, corrigir, reorganizar, como se a pr&oacute;pria ideia pudesse tornar-se mais male&aacute;vel e menos definitiva.<br /><br /><strong>Mais tarde aconteceu algo semelhante com a fotografia, quando transitei do anal&oacute;gico para o digita</strong>l. A imagem deixou de pedir espera. J&aacute; n&atilde;o havia o tempo da revela&ccedil;&atilde;o, a surpresa do negativo, o intervalo entre o momento vivido e o momento observado. Tudo passou a ser imediato, edit&aacute;vel, repet&iacute;vel. E, com isso, algo se ganhou, mas talvez algo tamb&eacute;m se tenha dilu&iacute;do.<br /><br />Esta transforma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se ficou pela escrita ou pela imagem.<br /><br /><strong>Sou utilizador de m&uacute;sica em formato digital h&aacute; cerca de 24 anos.</strong> A m&uacute;sica acompanha-me assim h&aacute; grande parte da minha vida. H&aacute; cerca de 2 anos separei-me de 90% dos meus CDs, porque senti que j&aacute; n&atilde;o os utilizava.<br /><br />Nesse caso, n&atilde;o ter a parte f&iacute;sica do disco n&atilde;o me trouxe grande perda. O que me move na m&uacute;sica &eacute; a escuta, a liberdade de saltar entre artistas, g&eacute;neros e &eacute;pocas, porque o meu gosto sempre foi profundamente ecl&eacute;tico.<br />Curiosamente, raramente paguei pelos servi&ccedil;os de streaming para escutar m&uacute;sica. H&aacute; algo em mim que sente que esse modelo nem sempre &eacute; a melhor forma de honrar quem cria.<br /><br />Talvez devido a isso, sempre que posso, escolho ir a concertos e viver a experi&ecirc;ncia viva, quase anal&oacute;gica, do som no corpo, da vibra&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o, da presen&ccedil;a partilhada com outros. E quando compro m&uacute;sica, muitas vezes fa&ccedil;o-o diretamente &agrave; banda, ainda que por via digital, porque a&iacute; sinto uma rela&ccedil;&atilde;o mais direta com a origem da cria&ccedil;&atilde;o.<br /><br /><strong>No meio disto tudo, h&aacute; uma coisa que permanece profundamente anal&oacute;gica para mim: os livros. A minha biblioteca a esta data conta com 373 livros e apenas 61 s&atilde;o em digital porque s&oacute; assim os conseguia.</strong><br /><br />Ler no digital nunca teve para mim a mesma presen&ccedil;a. N&atilde;o tem o mesmo impacto da palavra impressa. Falta-lhe o peso do livro nas m&atilde;os, o tato do papel, o deslizar dos dedos sobre a p&aacute;gina, o cheiro, a espessura, a sensa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica de avan&ccedil;ar e de habitar a leitura com o corpo inteiro.<br /><br />No livro, o corpo participa.<br /><br />E talvez seja por isso que sinto que, depois de tanta anestesia digital, haver&aacute; inevitavelmente um regresso ao anal&oacute;gico. N&atilde;o por nostalgia, mas por necessidade de presen&ccedil;a. Quanto mais mediada se torna a experi&ecirc;ncia, mais o corpo parece pedir realidade.<br /><br />Talvez tamb&eacute;m por isso me fascine tanto observar canais de pessoas que vivem fora da rede &mdash; no Alasca, na Sib&eacute;ria, em condi&ccedil;&otilde;es extremas, longe da hiperconectividade que marca o nosso quotidiano. H&aacute; algo nessas vidas mais cruas que me recorda a ess&ecirc;ncia do humano. Uma rela&ccedil;&atilde;o mais direta com o tempo, com a mat&eacute;ria, com a sobreviv&ecirc;ncia, com a simplicidade do gesto.<br /><br />Isso faz-me pensar no que temos vindo a perder &agrave; medida que ganhamos comodidade.<br /><br />Ouvi recentemente uma frase que ficou a ecoar em mim: <em>commodities gain, skills lost</em>, em &nbsp;portugu&ecirc;s deve ser algo como: <strong><em>comodidades adquiridas, habilidades perdidas</em></strong>.<br />&nbsp;&nbsp;Quanto mais comodidade, mais algumas compet&ecirc;ncias se perdem. E isso fez-me refletir profundamente sobre as aptid&otilde;es que deix&aacute;mos de cultivar porque pass&aacute;mos a deleg&aacute;-las &mdash; &agrave; tecnologia, aos sistemas, ao outro.<br /><br /><strong>No meu caso, por viver com neurodiverg&ecirc;ncia e com leve dislexia, tanto na escrita como na oralidade, utilizar ferramentas que transformam pensamento em texto ou &aacute;udio tornou-se profundamente libertador.</strong><br /><br />Talvez n&atilde;o saibas, mas durante muitos anos a minha rela&ccedil;&atilde;o com a palavra escrita e a leitura nem sempre foi simples, fui um daqueles alunos que penou um pouco no ensino obrigat&oacute;rio, excepto quando estudei artes entre o 10&ordf; e 12&ordf; anos.<br /><br />Ent&atilde;o ler publicamente era (e ainda &eacute;) um dos meus maiores medos e bloqueios, santa terapia que tirou esse mal de mim. Por isso poder hoje usar a oralidade como ponte para a escrita &eacute; uma forma de liberdade, criatividade e n&atilde;o uma pris&atilde;o.<br /><br />Por isso, <strong>n&atilde;o sinto a tecnologia como algo que me retira identidade</strong>. Pelo contr&aacute;rio, quando usada com consci&ecirc;ncia, sinto-a como uma extens&atilde;o que me permite expressar-me de forma mais aut&ecirc;ntica.<br /><br />Mas tamb&eacute;m sei que, se um dia tudo falhar, continuo a ter aquilo que sempre esteve comigo: <strong>papel e caneta, preta de cor para melhor contrastar com o imaculado papel.</strong><br /><br />Ali&aacute;s, foi precisamente a&iacute; que tudo come&ccedil;ou.<br /><br /><strong>Foi no journaling, na escrita manual, no di&aacute;rio &iacute;ntimo dos &uacute;ltimos quatro anos, que estas reflex&otilde;es come&ccedil;aram a nascer.</strong> Antes de qualquer aplica&ccedil;&atilde;o, antes de qualquer ferramenta, houve a rela&ccedil;&atilde;o direta entre pensamento, corpo e palavra. Houve a pausa. Houve o gesto de escrever &agrave; m&atilde;o aquilo que ainda n&atilde;o sabia nomear.<br /><br /><strong>Talvez a grande quest&atilde;o do nosso tempo n&atilde;o seja escolher entre digital ou anal&oacute;gico, mas perceber o que cada um faz &agrave; nossa presen&ccedil;a, &agrave; nossa autonomia e &agrave; nossa humanidade.</strong><br /><br />O que nos aproxima de n&oacute;s?<br />O que nos afasta?<br />O que nos massifica?<br />E o que ainda preserva a singularidade do gesto?<br /><br />Talvez a reflex&atilde;o seja esta:<br />&mdash; <strong><em>Que compet&ecirc;ncias, aptid&otilde;es ou formas de presen&ccedil;a tens vindo a delegar por comodidade, e o que isso tem feito &agrave; tua rela&ccedil;&atilde;o contigo pr&oacute;prio?</em></strong><br /><br />16 de abril de 2026<br />#epifaniareflexiva&nbsp;#blog #notasdeser</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Medo]]></title><link><![CDATA[https://www.ruicardosodr.com/blog/medo]]></link><comments><![CDATA[https://www.ruicardosodr.com/blog/medo#comments]]></comments><pubDate>Fri, 10 Apr 2026 18:33:55 GMT</pubDate><category><![CDATA[epifaniareflexiva]]></category><category><![CDATA[Notas de Ser]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.ruicardosodr.com/blog/medo</guid><description><![CDATA[O que &eacute;, realmente, o medo?Esta &eacute; uma pergunta que me acompanha muitas vezes.N&atilde;o como uma ideia para responder de imediato, mas como uma pergunta para permanecer, para escutar, para sentir no corpo e na hist&oacute;ria de cada pessoa.O medo pode, por vezes, ser um fator de evolu&ccedil;&atilde;o.H&aacute; medos que nos obrigam a olhar para dentro com mais honestidade, que nos mostram onde ainda n&atilde;o existe integra&ccedil;&atilde;o, onde ainda h&aacute; partes nossas po [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div class="paragraph" style="text-align:justify;"><strong>O que &eacute;, realmente, o medo?</strong><br /><br />Esta &eacute; uma pergunta que me acompanha muitas vezes.<br />N&atilde;o como uma ideia para responder de imediato, mas como uma pergunta para permanecer, para escutar, para sentir no corpo e na hist&oacute;ria de cada pessoa.<br /><br />O medo pode, por vezes, ser um fator de evolu&ccedil;&atilde;o.<br />H&aacute; medos que nos obrigam a olhar para dentro com mais honestidade, que nos mostram onde ainda n&atilde;o existe integra&ccedil;&atilde;o, onde ainda h&aacute; partes nossas por compreender. Nesse sentido, o medo n&atilde;o surge apenas como obst&aacute;culo; pode surgir como sinal, como consci&ecirc;ncia, como um ponto de aten&ccedil;&atilde;o que pede presen&ccedil;a.<br /><br />Mas nem sempre &eacute; vivido assim.<br /><br />Muitas vezes, o medo nasce n&atilde;o da falta de seguran&ccedil;a, mas da necessidade de querer controlar o que vem a seguir. Existe uma parte da mente que procura antecipar tudo, prever tudo, garantir que o pr&oacute;ximo passo n&atilde;o trar&aacute; dor, perda ou instabilidade. Quando isso n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, instala-se a inquieta&ccedil;&atilde;o. O desconhecido passa a ser vivido como amea&ccedil;a, quando na verdade pode ser apenas vida ainda por revelar-se.<br /><br />Outras vezes, o medo vem de tr&aacute;s.<br /><br />Das formas como a pessoa viveu, sentiu e experienciou o passado.<br />De mem&oacute;rias emocionais que continuam ativas, mesmo quando a situa&ccedil;&atilde;o original j&aacute; terminou. H&aacute; experi&ecirc;ncias que deixam marcas subtis e profundas na forma como algu&eacute;m se relaciona consigo, com os outros e com o futuro. O medo, nesses casos, n&atilde;o fala apenas do presente; fala tamb&eacute;m daquilo que um dia feriu, confundiu ou fragilizou.<br /><br />Tamb&eacute;m vejo, enquanto terapeuta, que por vezes o medo nasce da dificuldade em a pessoa se compreender e aceitar.<br />Quando n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o interno para acolher aquilo que se sente, o medo pode tornar-se uma esp&eacute;cie de linguagem do pr&oacute;prio conflito interno. N&atilde;o &eacute; apenas medo do mundo, do futuro ou da mudan&ccedil;a; &eacute;, por vezes, medo de si mesmo, do que poder&aacute; descobrir, do que poder&aacute; ter de reconhecer.<br /><br />E &eacute; aqui que a pergunta ganha profundidade:<br /><br /><strong>o medo faz-nos evoluir<br />ou faz-nos estagnar?</strong><br /><br />A resposta nem sempre &eacute; linear.<br /><br />H&aacute; medos que expandem a consci&ecirc;ncia.<br />No Human Design, fala-se muitas vezes dos medos como fontes de awareness, de verdade e de consci&ecirc;ncia. Gosto desta vis&atilde;o porque ela n&atilde;o coloca o medo como algo a eliminar, mas como algo a escutar. Certos medos mostram-nos precisamente aquilo que ainda precisa de ser visto. Trazem desconforto, sim, mas esse desconforto pode ser profundamente revelador.<br /><br />Ao mesmo tempo, tamb&eacute;m observo que, por vezes, o medo se transforma num lugar onde a pessoa se limita.<br /><br />Enquanto o medo ocupa o centro da desculpa, pode tornar-se mais f&aacute;cil justificar a n&atilde;o a&ccedil;&atilde;o, o adiamento de escolhas, a perman&ecirc;ncia em rela&ccedil;&otilde;es, contextos ou padr&otilde;es que j&aacute; n&atilde;o servem. Nesses momentos, o medo deixa de ser consci&ecirc;ncia e passa a funcionar como conten&ccedil;&atilde;o, quase como uma prote&ccedil;&atilde;o contra a responsabilidade de assumir o papel que a vida est&aacute; a pedir.<br /><br />E talvez esta seja uma das partes mais delicadas de olhar.<br /><br />Por vezes, a pessoa diz que &eacute; medo,<br />mas no fundo o que existe &eacute; resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a, resist&ecirc;ncia ao crescimento, resist&ecirc;ncia a habitar a vers&atilde;o de si que sabe que j&aacute; est&aacute; a emergir.<br /><br />O medo pode bloquear a rela&ccedil;&atilde;o consigo pr&oacute;prio.<br />Pode bloquear a intimidade com o outro.<br />Pode bloquear o acesso ao que, no &iacute;ntimo, sabe ser correto viver.<br /><br />Por isso continuo a perguntar:<br /><br /><strong>o que &eacute; realmente o medo?</strong><br /><br />Ser&aacute; um mecanismo de prote&ccedil;&atilde;o?<br />Uma mem&oacute;ria antiga ainda ativa?<br />Uma fonte de consci&ecirc;ncia?<br />Ou uma forma subtil de permanecer onde tudo &eacute; conhecido, mesmo quando j&aacute; deixou de fazer sentido?<br />&#8203;<br />Talvez o medo seja, muitas vezes, a fronteira entre quem fomos e quem estamos a ser chamados a tornar-nos.<br />E talvez a verdadeira quest&atilde;o n&atilde;o seja livrarmo-nos dele,<br />mas perceber se ele est&aacute; a mostrar uma verdade<br />ou a impedir-nos de viv&ecirc;-la.<br /><br /><strong>10 de abril de 2026</strong><br />&nbsp;#epifaniareflexiva&nbsp;#blog #notasdeser</div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Apresentação de: Se tudo for nada, nada serei]]></title><link><![CDATA[https://www.ruicardosodr.com/blog/apresentacaolivro]]></link><comments><![CDATA[https://www.ruicardosodr.com/blog/apresentacaolivro#comments]]></comments><pubDate>Fri, 13 Mar 2026 10:56:36 GMT</pubDate><category><![CDATA[Eventos]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.ruicardosodr.com/blog/apresentacaolivro</guid><description><![CDATA[       Apresenta&ccedil;&atilde;o do meu livro:&nbsp;Se tudo for nada, nada sereiNo dia 28 de mar&ccedil;o, &agrave;s 21h, vou abrir a porta do meu consult&oacute;rio para algo muito simples: um encontro.Depois de meses a escrever, a rever, a sentir e a organizar estas reflex&otilde;es, senti que a forma mais verdadeira de apresentar este livro seria assim &mdash; sem palco, sem formalidades, sem pressa.&#8203;Ser&aacute; uma apresenta&ccedil;&atilde;o informal, quase como mais uma conversa daqu [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="https://www.ruicardosodr.com/uploads/1/9/9/5/19953629/published/apresenta-o-livro.png?1773400920" alt="Fotografia" style="width:527;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div class="paragraph">Apresenta&ccedil;&atilde;o do meu livro:&nbsp;<em><strong>Se tudo for nada, nada serei</strong></em><br /><br />No dia <strong>28 de mar&ccedil;o, &agrave;s 21h</strong>, vou abrir a porta do meu consult&oacute;rio para algo muito simples: um encontro.<br />Depois de meses a escrever, a rever, a sentir e a organizar estas reflex&otilde;es, senti que a forma mais verdadeira de apresentar este livro seria assim &mdash; sem palco, sem formalidades, sem pressa.<br />&#8203;<br />Ser&aacute; uma <strong>apresenta&ccedil;&atilde;o informal</strong>, quase como mais uma conversa daquelas que tantas vezes temos neste espa&ccedil;o.<br />Escolhi o meu consult&oacute;rio pois o lugar onde tantas hist&oacute;rias foram partilhadas, onde tantas perguntas nasceram, e onde este livro tamb&eacute;m come&ccedil;ou a ganhar forma.<br /><br />Entre as <strong>21h e as 22h30</strong>, estarei dispon&iacute;vel para falar um pouco sobre o livro, sobre o que me levou a escrev&ecirc;-lo e sobre o que estas p&aacute;ginas podem inspirar em cada um de n&oacute;s.<br /><br />Mais do que uma apresenta&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; um momento de presen&ccedil;a.<br />De escuta.<br />De partilha.<br /><br />Se quiseres aparecer, conversar, levantar o teu exemplar do livro, ou simplesmente passar para um abra&ccedil;o, ser&aacute;s muito bem-vindo.<br /><br />Este livro nasceu de muitas perguntas, muitas experi&ecirc;ncias e de uma vontade profunda de compreender melhor o que significa ser humano.<br /><br />Talvez, no meio destas palavras, possas tamb&eacute;m encontrar um pouco do teu pr&oacute;prio caminho.<br /><br />Espero por ti.<br />Um abra&ccedil;o sonoro<br /><strong>Rui Cardoso</strong><br /><br /><strong>Data:</strong> 28 de mar&ccedil;o<br /><strong>Hora:</strong> 21h &ndash; 22h30<br /><strong>Valor do livro:</strong> 17&euro;<br /><br /><strong><font color="#8d7824">Morada do consult&oacute;rio :</font><br /><font color="#508d24">&nbsp;</font>&nbsp;Rui Cardoso | Terapeuta</strong><br /><font color="#3f3f3f">&nbsp;&nbsp;</font><span>R. Caverneira n&ordm; 65&nbsp;</span><br /><span>&nbsp; 4425-042&nbsp;&#8203;&Aacute;guas Santas, Maia<br />&#8203;&nbsp; Ver no googlemaps:<a href="https://maps.app.goo.gl/Di9xGzRJSnSbjSzT7" target="_blank">&nbsp;</a></span><a href="https://maps.app.goo.gl/Di9xGzRJSnSbjSzT7" target="_blank">https://maps.app.goo.gl/Di9xGzRJSnSbjSzT7</a></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>