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Hoje penso que há problemas mais graves que os sentidos aquando da revolução tecnológica e da revolução industrial. Ao menos essas eram humanas.
Agora estamos na era da revolução digital, em que se perde o senso do que é real, do que é artificial, da ilusão da verdade, e isso acaba por me causar algum tipo de confusão. Penso que até nos vai colocar num estado de alerta permanente, a tentar observar constantemente, sempre que utilizamos as redes digitais, o que é que é real. O que é que foi realmente escrito por aquela pessoa. Será que aquele vídeo e aquela voz é mesmo aquela pessoa. Parece que vivemos num cenário de guerra, em que somos bombardeados numa luta por uma atenção que está cada vez mais dispersa. Por isso estou a escolher cada vez mais ir para o analógico, escolher o livro, a folha, a pausa, escolher o disco, um disco de cada vez, sem ter de escolher a torrente de ondas de música que os streamings oferecem. Ou os serviços de streaming de séries, filmes. Tudo está tão fútil, fácil, fadado e gasto. Tudo é tão rápido agora que chega quase a ser estéril. Sinto-me cansado de ter de escolher tanto nas hipóteses. Por isso, por vezes só apagar o meu footprint digital, desligar a internet, desligar-me do mundo a correr para lado nenhum e ficar só com os livros, com a pausa clara de observar a natureza, dos pés na terra, na areia, da sensação de voltar a tocar uma árvore, a jogar com as crianças ou apenas a olhar para o vazio e imaginar cenários. Sinto que precisamos de nos libertar um pouco desta prisão digital e artificial. Nada contra a inteligência artificial, seja o que é que isso for, porque na verdade é só mais uma construção da humanidade para facilitar a nossa evolução. Estamos a tender ao facilitismo, dualismo, extremismo que nos está a levar à solidão, ao vazio, à depressão, à ausência de sentido, à ausência de estar, à ausência de ser. Respiro fundo, pauso o que vou escrever a seguir, pois também isso vai ficar registado de forma digital, para que um dia, talvez daqui a uns anos, alguém leia e perceba. Ele já estava desperto no meio de tanta desinformação e distração para ludibriar a consciência de quem quer evoluir no seu desenvolvimento humano. 24 de abril de 2026
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